A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde emitiram nesta semana um alerta conjunto sobre o risco real de novos surtos de sarampo no Brasil em 2026. A principal preocupação é a queda persistente na cobertura da vacina tríplice viral (SCR), que protege contra sarampo, caxumba e rubéola.
Números que preocupam
Segundo dados atualizados do Programa Nacional de Imunizações (PNI), a cobertura vacinal da tríplice viral entre crianças de 1 ano ficou em apenas 79,4% em 2025 — muito abaixo da meta de 95% recomendada pela OMS para manter a imunidade coletiva contra o sarampo.
O cenário é ainda mais grave em nível municipal:
- 1.247 municípios registraram cobertura abaixo de 70% para a primeira dose
- 2.891 municípios não atingiram 80% de cobertura
- A segunda dose (reforço), aplicada aos 15 meses, tem cobertura de apenas 64% nacionalmente
O sarampo é uma das doenças mais contagiosas que existem. Uma única pessoa infectada pode transmitir o vírus para até 18 pessoas não vacinadas. Quando a cobertura cai abaixo de 95%, criamos bolsões de suscetíveis que funcionam como estopim para surtos — Dra. Carla Domingues, ex-coordenadora do PNI.
Risco de perder a certificação
O Brasil recebeu da OMS o certificado de eliminação do sarampo em 2016, mas já o perdeu temporariamente entre 2019 e 2022, quando um surto atingiu mais de 40 mil pessoas no país. Após intensas campanhas de vacinação, o certificado foi recuperado.
Agora, com três anos consecutivos de cobertura abaixo da meta, a OMS alertou que o país corre risco concreto de perder novamente a certificação — o que teria impacto na reputação sanitária do Brasil internacionalmente.
Cenário global amplifica o risco
O alerta não é isolado. A OMS registrou um aumento de 456% nos casos de sarampo na Europa entre 2023 e 2025, impulsionado pela queda vacinal pós-pandemia. Países como França, Reino Unido e Romênia enfrentaram surtos significativos.
Na América Latina, Argentina e Colômbia já confirmaram casos importados em 2026. Com o intenso fluxo de viajantes internacionais, o risco de importação para o Brasil é considerado alto.
Quem está desprotegido
Estima-se que aproximadamente 12 milhões de crianças brasileiras com menos de 5 anos estejam com o esquema vacinal incompleto contra o sarampo. Além disso, adultos nascidos entre 1960 e 1989 podem não ter proteção adequada, pois muitos não completaram o esquema ou foram vacinados com formulações menos eficazes.
O Ministério da Saúde recomenda:
- Crianças de 12 meses: primeira dose da tríplice viral
- Crianças de 15 meses: reforço com a tetraviral (SCRV)
- Adolescentes e adultos até 29 anos: duas doses da tríplice viral
- Adultos de 30 a 59 anos: pelo menos uma dose
- Profissionais de saúde: duas doses, independentemente da idade
Medidas anunciadas
Em resposta ao alerta, o Ministério da Saúde anunciou um pacote de ações emergenciais:
- Campanha Nacional de Multivacinação antecipada para abril de 2026, com foco na tríplice viral
- Busca ativa domiciliar em municípios com cobertura abaixo de 70%
- Vacinação em escolas públicas e privadas de todo o país
- Ampliação de horários das Unidades Básicas de Saúde, incluindo fins de semana
- Capacitação de 50 mil agentes comunitários para orientação sobre a importância da vacinação
Nenhuma criança deveria ficar desprotegida contra o sarampo em pleno século XXI. Vamos intensificar a busca ativa e levar a vacina até onde as famílias estão — Alexandre Padilha, Ministro da Saúde.
O que é o sarampo
O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, transmitida por gotículas respiratórias. Os sintomas incluem febre alta, manchas vermelhas pelo corpo (exantema), tosse, coriza e conjuntivite. Pode evoluir para complicações graves, como pneumonia, encefalite e óbito — especialmente em crianças desnutridas e menores de 5 anos.
A vacina tríplice viral é segura, gratuita e altamente eficaz: duas doses conferem proteção de aproximadamente 97% contra o sarampo.